Mapa de Mosqueiro-Belém-Pará

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terça-feira, 1 de outubro de 2013

A vitória do teclado

Para desgosto dos franceses, a caligrafia está morrendo nos Estados Unidos. Será que este é o destino da técnica no resto do mundo?

por Gianni Carta— publicado 01/10/2013 14:08

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Qual é o futuro da caligrafia?

Para o horror dos franceses, a caligrafia está em vias de desaparição nos EUA

Fico admirado quando vejo a letra cursiva que minha filha de 12 anos aprimorou em cursos de caligrafia desde a maternal em escolas públicas na França. É uma letra arredondada, pequena, uma verdadeira arte.

Desenha com igual habilidade em uma escola de arte cuja professora ministra aulas no Louvre. Quando era um pouco mais velho que ela abandonei a letra cursiva pela bastão quando mudei para os Estados Unidos. Minha letra cursiva era um desastre, como a de meu filho de 9 anos, também ele a estudar na França. Em contrapartida, ele lê muito e é excelente aluno de matemática.

Cada um de meus filhos tem aptidão para uma matéria escolar, o que já é muito.

Portanto, não vejo com horror, como a vasta maioria dos franceses, o fato de a caligrafia, e aqui refiro-me ao ensino de letras cursivas redondas e ligadas umas às outras, estarem em vias de desaparição em 45 dos 50 estados nos Estados Unidos.

Se na França a letra cursiva faz parte da identidade nacional, nos EUA predominará, como tem sido o caso desde o início do século passado, a letra bastão, ou de fôrma. Esta é mais fácil de aprender e, segundo alguns pedagogos, mais democrática. O motivo? A letra bastão se assemelha mais àquela de jornais, revistas, cartazes, e, mais importante, do computador. Ademais, pessoas isentas de talento são punidas com notas baixas em aulas de caligrafia em países como a França.

É a vitória dos teclados de computadores?

Para os norte-americanos, a partir do primeiro ano é mais importante ensinar para a criança a digitar rapidamente do que passar horas a fio para aperfeiçoar a letra.

No entanto, Laura Dinehart, da Universidade da Flórida, disse em uma entrevista recente que existe uma sólida correlação entre o aprendizado precoce da caligrafia e o bom desenvolvimento escolar do aluno.

Será?

Dinehart, é verdade, oferece estatísticas convincentes. E nos diz que é mais fácil memorizar copiando um texto à mão do que no teclado de um laptop. De fato, em bibliotecas francesas vejo muita gente a copiar textos à mão, mas também detecto centenas de laptops.

Em entrevista para um website brasileiro, Francisca Paula Toledo Monteiro, professora de alfabetização infantil da Unicamp, pondera: “Não há utilidade na letra cursiva nem em termos de coordenação motora, porque essa coordenação não é testada pela letra. Ela se dá na interação da criança com o mundo e com os outros”.

Em miúdos, a criança obtém melhor coordenação (um dos motivos pelos quais se ensina caligrafia na França) ao se alimentar com garfo e faca, ao amarrar o tênis, ao aprender a chutar uma bola, etc.

Além disso, hoje nos comunicamos mais via outros meios: SMS, tweets, e-mails.

A letra bastão não é somente mais democrática – mas ela está em sintonia com os novos tempos.

Ao invés de passar horas a aprimorar sua caligrafia, minha filha poderá desenhar mais, ir a mostras e estudar história. Por sua vez, meu filho terá mais tempo para ler, estudar matemática e jogar bola.

Quanto a mim, que adotei há décadas a letra bastão só uso lápis e papel para fazer anotações rápidas e, quando não uso gravador, para registrar as respostas de entrevistados. E só eu entendo meus garranchos.

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