Jatene, à direita, se elegeu
Saiu no blog Os Amigos do Presidente Lula, que a Dra. Sandra Cureau queria calar:
Fui conferir a dica de um comentarista anônimo e é verdade: o blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, um dos mais acessados do Brasil, repercute, em letras garrafais, o Caso Cerpasa, noticiado nacionalmente pelo blog “Os Amigos do Presidente Lula”:
“Simão Jatene segue os passos de Arruda, com escândalo da cervejaria Cerpa
O governador tucano do Pará, Simão Jatene, pode ser a bola da vez entre os governadores que caem por envolvimento em escândalo de corrupção, seguindo os passos de José Roberto Arruda (ex-DEMos/DF).
O motivo é o processo 2007.39.00.009063-6 no Tribunal Regional Federal do Pará, contra o governador demo-tucano e outros. Trata-se de um inquérito policial que apura:
- Corrupção Passiva;
- Crimes contra a administração pública;
- Falsidade Ideológica;
- Crimes contra a fé pública;
- Corrupção ativa;
- Crimes praticados por particular contra a administração em geral.
Eleito governador, recobrou foro privilegiado, e o processo contra ele deve subir para o STJ, o mesmo tribunal onde foi expedido o mandado de prisão contra Arruda.
O escândalo vem desde a eleição de 2002 (primeira vitória de Jatene), conforme descreveu reportagem da revista IstoÉ nº 1833 de novembro/2004:
Tudo começou na manhã de 12 de agosto de 2004, quando o fiscal do Ministério Público do Trabalho, acompanhado de um procurador e dois delegados da Polícia Federal, chegou à sede da Cerpa, flagrando uma funcionária do departamento pessoal com a boca na botija: Ana Lúcia Santos separava os envelopes e contava R$ 300 mil em notas miúdas com que fazia o pagamento “por fora” dos funcionários, sem registro em carteira.
Com a perícia sobre documentos e computadores apreendidos, além da fraude trabalhista, os agentes encontraram relatórios detalhados com nomes, datas e valores descrevendo a relação de corrupção explícita existente entre a cervejaria e a campanha do governador.
Em um dos documentos, como atas de reunião, um executivo da Cerpa descreveu a decisão de agosto de 2002, em plena campanha eleitoral: “Ajuda a campanha do Simão Jatene p/Governo, reunião feita com Dr. Sérgio Leão, Dr. Jorge, Sr. Seibel, a partir de 30/08/02 (toda Sexta-feira), R$ 500.000, totalizando seis parcelas no final.”
Seibel é Konrad Karl Seibel, dono da Cerpa.
Leão é Francisco Sérgio Leão – atual secretário de Governo – que presidia a comissão estadual que avaliava a política de incentivos, na época”.
Tem mais aqui: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2011/01/28/governador-do-cerra-enfrenta-escandalo-da-cerpa/
De um Anônimo, sobre a postagem Duciomar, o nosso Midas. Mosqueiro que o diga.:
Se fosse prefeito de Belém, faria tudo diferente.
Já fui prefeito no interior. Entrei e saí carregado nos braços do povo. Minhas contas todas foram aprovadas inclusive com louvor em um dos exercícios. Iria mostrar ao Duciomar e ao povo de Belém como é que um prefeito de verdade administra uma cidade. Poderia até perder uma vida no PSM, mas não seria por falta de assistência. Nunca, jamais, me queixaria do povo do interior que vem à capital em busca de socorro médico. Minha ordem seria atender a todos com dignidade. Faria visitas semanais a todos unidades de saúde a começar pelo PSM. Visitaria as feiras e cemitérios. Todas as escolas seriam visitadas por mim pelo menos uma vez por mês. Viagem a Brasília sómente a trabalho. Aos domingos, passearia nas praças de Belém com a minha família. Tiraria as crianças das ruas, encaminhando-as para um abrigo decente. Para os moradores de rua que são muitos em Belém daria atençao especial. Fiscalizaria pessoalmente todas as obras. Receberia semanalmente o povo em audiência atendendo principalmente os necessitados (há muita miséria em Belém). As licitações seriam todas transparentes e transmitidas pela internet. Jamais usaria carro oficial com sirene ligada pelas ruas de Belém e nem bandinha para me saldar onde fosse.
Vocês viram alguma vez Duciomar andando pela rua, no shopping, em alguma festa de formatura, num Re-Pa, na praça da República, numa banca de tacacá, pegando um taxi ou ônibus, numa igreja assistindo missa ou culto, na praia em Mosqueiro, lendo um livro, numa fila de banco, num engarrafamento de trânsito, nos locais de alagamentos da cidade se solidarizando com os moradores? Não, nunca viram e não verão porque não é estilo dele. Ele não veio para servir mas ser servido. Antes de ser Prefeito ele tinha umas carroças motorizadas que o Hélio Gueiros pagava para ele recolher o lixo no Guamá e Pedreira, ganhou fama de lider comunitário, mas hoje que é Prefeito a cidade virou uma lixeira a céu aberto. É triste saber que Belém há muito tempo não sabe o que é verdadeiramente um prefeito municipal.
Se tivesse um pouco de recursos me canditaria à Prefeitura de Belém em 2012 por um partido pequeno porque pelos grandes os donos não deixariam. Tenho certeza que o povo iria gostar de mim, da minha historia de vida e das minhas propostas.
Lembremos que quem elege prefeito de Belém é o povo do interior que mora na cidade e que mantém suas ligações com a cidade natal. Estudei em Belém, Brasília, Rio de Janeiro, Estados Unidos e Alemanha.
Em tempo, o Eduardo Brandão seria convidado para me auxiliar na administração de Mosqueiro e aproveitaria para aprender com ele, mais ainda, como é fazer as coisas por puro amor e interesse público. Aliás, formaria um secretariado de dar inveja a qualquer governador com gente séria e honesta que ainda se encontra nesta cidade.
Uma pessoa deve corrigir os seus erros, certo? Mas há jeitos e jeitos para isso. Definitivamente, resolver o erro de exercer ilegalmente a Medicina tentando se matricular numa universidade, no curso de Medicina, com um laudo médico falso não é um jeito correto, principalmente se a intenção for provar uma falsa deficiência auditiva, para conseguir uma vaga na cota dos portadores de deficiência. Tanto é que um jovem de apenas 27 anos acabou preso, dada a sua persistência em cometer fraudes.
Engraçado: um falso otorrinolaringologista tenta cursar Medicina graças a uma falsa deficiência auditiva. Tanta persistência já é quase uma reincidência.
PS - Depois que resolver suas pendências na Bahia, o jovem em apreço pode tentar a carreira política em uma certa cidade brasileira, onde o eleitorado tem simpatia por falsários
A Associação dos Concursados do Pará enviou ao promotor Firmino Araújo de Matos, 6º Promotor de Direitos Constitucionais e do Patrimônio Público, do Ministério Público do Estado, pedido de análise no edital do concurso público, promovido pela Prefeitura de Belém, através da empresa CETAP. Ocorre que, segundo a Asconpa, o edital deixa dúvida quanto ao caráter constitucional do Concurso Público, já que o certame, apesar de estar sendo anunciado como um Concurso Público, nas propagandas oficiais da Prefeitura de Belém, é na verdade um processo seletivo para contratação de servidores temporários, os quais, uma vez selecionados, não terão as garantias constitucionais dos servidores aprovados em concursos públicos para preenchimento de cargo efetivo, conforme preconiza a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 37, inciso II: “A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração”.
O edital, que apenas se refere a “processo seletivo para o preenchimento das vagas”, não faz referência alguma a respeito do regime de contração. Somente ao final no item 16 menciona a lei a Lei nº. 11.350/2006 que regulamenta as atividades dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias, que por força do artigo 198, parágrafo 4 da Constituição Federal exige que os mesmos se submetam a Processo Seletivo Público, o que não é Concurso. Porém, os demais cargos, regra geral, é que se submetam Concurso Público de provas ou de prova e títulos conforme o já mencionado artigo o 37, inciso da II da CF de 1988.Nesse ponto, o que fica claro é que o responsável pelo certame se utiliza da Lei 11.350/2006 para ilegalmente incluir os demais cargos, destoando, assim, dos princípios que regem a Administração Pública.
Por outro lado, a constituição Federal no mesmo artigo 37, inciso IX diz: “A Lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público”.Ora, se o edital não menciona o regime de contratação para os cargos oferecidos com exceção ao de ACS e de Agentes de Combates a Endemias, só podemos chegar a uma conclusão: trata-se de processo seletivo para contratação temporária. O que deveria ser divulgado pela Prefeitura Municipal de Belém.
E assim vem a tona outro questionamento: como, por exemplo, verificar, se neste caso a contratação, se amolda aquilo que a Constituição denomina de necessidade temporária de excepcional interesse público? Tal expressão é clara, não deixando dúvidas: eventual contratação temporária obrigatoriamente deve acontecer apenas em casos excepcionais, em que eventual demora cause danos ao interesse público ou, mais especificamente, ao consagrado princípio da continuidade do serviço público.Há ainda que se averiguar que tal necessidade excepcional não pode ter sido gerada pela inércia do administrador público. Assim sendo é evidente e irregular sua atuação enquanto gestor público que, ao longo de anos, não realiza procedimentos de concurso público e, em dado momento, efetua contratação excepcional temporária, sem concurso, sob o argumento de que, caso não a promova, advirão prejuízos à prestação de serviços públicos, tentando ludibriar os seus administrados.
O certame visa preencher 2.563 vagas além de formação de cadastro de reserva de nível fundamental, médio e superior, para a Secretaria Municipal de Saúde (SESMA).Conforme o edital, para concorrer a uma das vagas, o candidato terá que pagar inscrições de R$ 40,00 (nível fundamental), de R$ 50,00 (nível médio) e de R$ 60,00 (nível superior). Os salários vão de R$ 714,00 a R$ 4.068,54. As vagas estão distribuídas entre os cargos de Médico Generalista, Enfermeiro, Psiquiatra, Nutricionista, Farmacêutico, Educador Físico, Técnico em Enfermagem, Assistente Administrativo, Agente de Combate de Endemias e Comunitário de Saúde. A prova objetiva será aplicada no dia 10 de abril de 2011, os locais, ainda segundo o edital, só serão informados a partir de 28 de março. A associação pede ao promotor, que analise o edital e, caso chegue à mesma conclusão, tome providências legais para que os candidatos aprovados às vagas ofertadas neste certame, não sejam futuramente surpreendidos, com uma possível instabilidade dos empregos aos quais concorreram e foram aprovados.
Fonte: Associação dos Concursados do Pará
O escaneamento acima, uma notícia de jornal, muito nos entusiasmou, mas é melhor ficar alerta (“Gato escaldado tem medo de água fria”, lembram?) e não esquecer do que o atual gestor municipal fez e faz em desfavor do povo da Ilha, como extinguir o transporte fluvial Belém-Mosqueiro-Belém, atar as mãos em relação à avacalhação que se tornou a linha urbana rodoviária que deveria fazer a mesma interligação, desativar o programa de esgotamento sanitário e balneabilidade, tentar privatizar o SAAEB, acabar com o serviço de urgência e emergência dos postos de saúde do Maracajá e da Baía-do-Sol…
Por concisão, e para não aporrinhar a paciência do(a) amigo(a) leitor(a), ficaremos apenas com esses exemplos de desserviços perpetrados pelo (des)prefeito já referido linhas atrás. Mas, voltando ao assunto: a biblioteca “no distrito de Mosqueiro, a primeira da localidade”. Fiquei perplexo! Esse método de desinformação, seja do jornal, seja da PMB ou da ADMO, das duas últimas, ou das três instituições em conluio -- não importa --, só ofende a inteligência do mosqueirense. Sabe-se que na Ilha de Mosqueiro já houve uma Biblioteca Municipal Cândido Marinho Rocha, ativa entre os anos de 1987 e 1999. Sabe-se também que foi o próprio poder público que a desativou. Primeiro, o agente distrital Paulo Uchôa, que a transformou em auditório. E o povo ficou sem esse arrimo cultural tão importante para a formação integral de sua cidadania.
Os outros agentes distritais ignoraram o fato. O acervo começou a deteriorar… Aí, o remédio amargo, não para curar, mas para matar o paciente: os livros foram jogados fora. Boa parte, levados pelo caminhão da coleta de lixo. Os que escaparam, funcionários salvaram, levando-os em macas, ops!… digo, carrinhos-de-mão, para suas casas, onde hoje hibernam. O golpe de misericórdia, imaginem: como se fosse en el paredón – Fuego! Pois é, foram para o fogo, queimados pela fogueira do despreparo, da ignorância e da incompetência da agente distrital Maria da Glória, ato levado a cabo no DMER, na localidade de Carananduba.
Para cabal esclarecimento das reflexões aqui feitas, leia-se o que reza a Lei Municipal abaixo:
Lei nº. 7383, de 07 de dezembro de 1987
Cria a Biblioteca Pública Municipal na Vila do Mosqueiro, Município de Belém.
A CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM estatui a seguinte Lei:
Art. 1º: Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a criar a Biblioteca Pública Municipal denominada CÂNDIDO MARINHO DA ROCHA, com sede na Vila do Mosqueiro, Município de Belém, subordinada à Agência Distrital do Mosqueiro.
Art. 2º Fica o Prefeito Municipal de Belém autorizado a firmar convênio com o Instituto Nacional do Livro, do Ministério da Educação, para o efeito de integração da referida biblioteca pública e recebimento de toda a assistência prevista às unidades conveniadas.
Art. 3º. Revogam-se as disposições em contrário.
Gabinete do Prefeito Municipal de Belém, em 07 de dezembro de 1987.
Fernando Coutinho Jorge
(Prefeito Municipal de Belém)
Vê-se por que se pode afirmar que o povo, mais uma vez, é lesado em seu direito de ter educação cidadã. Ficaremos com uma biblioteca, em vez das duas a que teríamos direito. O que é pior ainda, é que as bibliotecas a serem construídas, com verba federal, diga-se, deveriam ser três. Já até imaginamos o porquê… Salvo engano, além da do Tapanã e do Mosqueiro, o Benguí também teria direito a ser contemplado com uma.
Vale ressaltar o fato de que a biblioteca, quando vir, não será por uma espécie de benevolência do poder público, e sim, porque lhe cabe essa obrigação, cuja exigência de cumprimento o povo tão bem soube incitar. Tenho orgulho de ter participado das lutas, das reivindicações, da publicação de documentos nos jornais, nunca sozinho, sempre estimulado pelo fato de fazer parte de um todo, um grupo, que se denominou Amigos da Biblioteca.
Sei que muitos podem dizer que puxo a brasa para a sardinha desse grupo, todo ele ligado ou ao PT de Mosqueiro, do segmento Articulação de Esquerda, principalmente da Juventude da AE-Mosqueiro, mas seria injusto não dar créditos a quem os mereça de fato, como também de fato os mereçam os alunos da Escola Honorato Filgueiras, sempre ativos nesse processo.
Sendo assim, os créditos, também os merecem, embora todos os imbróglios, o Marcelo Bittencourt e o Anderson Miguel, agentes mobilizadores da comunidade ilhoa. E a ADMO, A Fumbel e a PMB? E o Instituto Elos? E o Programa Mais Cultura, do MinC? E o povo de Mosqueiro? Todos estes são sujeitos dessa história, cada um a seu modo, e em maior ou menor grau. O Governo Federal, pela iniciativa do Ministério da Cultura, é o responsável financeiro e de onde se inicia todo o processo, verdade seja dita. Os outros órgãos são todos coadjuvantes, principalmente os municipais, capazes quase de perder o gol na linha da área, pois se atrapalharam demasiado com a escolha do local, terreno próprio do Município de Belém. Imaginem vocês se fosse necessário adquirir o terreno! A biblioteca, provavelmente, sairia em em 2020…
No fundo, parece que estou mesmo é refém de uma ranzinzice incorrigível. Pois é, talvez sim, talvez não… O importante não é só o cidadão mosqueirense “esperar para ver”, mas também ser copartícipe da obra, ficar de olho nos prazos e gastos, fiscalizar o andamento da construção do prédio. E, para melhor estar na observância de tudo que esteve/está/estará acontecendo, faço abaixo postagem de documentos relevantes a respeito de todo o processo relacionado à nova biblioteca:
Biblioteca pública em Mosqueiro: sua urgência e seus benefícios
Quando se ouve falar de Gutenberg (século XV), e o nascimento do livro como hoje o conhecemos, poucos refletem sobre na verdade sua remota existência, sua atualidade e contemporaneidade de uso, ainda em franca e (creio convictamente nisso!) vitoriosa competitividade com o formato digital ou mesmo virtual.
Desde as pinturas nas paredes das cavernas e em rochas a céu aberto (pictografia), os sinais (se preferirem: marcas) em chifres e ossos de animais, desde a escrita cuneiforme dos sumérios (em ‘tabuletas de barro’ e em superfícies metálicas), passando pela escrita ideogramática dos chineses (geralmente usando ‘livros’ de bambu e, muito depois, finalmente o papel, do qual são os legítimos inventores), passando também pela escrita hieroglífica egípcia (em papiro suporte que passa daí em diante a ser muito difundido entre civilizações posteriores à do Egito em paredes de tumbas, em ‘tabuletas de pedra’, como a Pedra de Roseta), pelo alfabeto fenício ocidental, o grego, o latino, até virem a emergir as escritas das línguas modernas ocidentais, muitos materiais e formatos foram empregados por diferentes povos e épocas históricas.
O saber humano foi e/ou está sendo registrado como já visto acima , para (utopicamente que seja) jamais perder-se, nas paredes de cavernas, chifres, ossos, barro, metal, papiro, ardósias gregas, bambu, pano, pergaminho, papel, volúmen, livro, revistas, CD-ROM, espaço virtual... Alguém sabe aonde vai parar essa tecnologia toda? A resposta é “Não vai parar!” Continuará o conhecimento a ser registrado e conservado para as gerações futuras, para estas se orientarem, para prosseguirem sua tradição, assim como para, contrariando-a, revigorá-la. Por outro lado, a resposta poderia ser esta outra: “Vai parar no lixo!” Sim, é o que pode acontecer quando autoridades, de forma ignorante, egotista e autoritária, tratam o conhecimento como se este fosse produto descartável, como se fosse uma planta que brota sem ninguém plantar, regar, cuidar. Suas prioridades são sempre manter-se no poder, tê-lo nas mãos, empregar familiares, enriquecer, enganar, considerando os fatores da aparência sempre a suplantar os da essência.
Quando ouço falarem de certo episódio ocorrido alguns anos atrás na Agência Distrital de Mosqueiro, protagonizado por Paulo Uchôa, remeto minhas memórias para aquela Alexandria invadida e pelo crime hediondo contra a cultura humana perpetrado na queima de sua histórica e riquíssima biblioteca, perdendo-se lastimavelmente um tesouro de acervo jamais recuperável. Pois é, Uchôa “precisava” exacerbadamente de um auditório para suas infindáveis e inúteis re(i)uniões. Então, facílima decisão: jogou fora os livros da (até aquele momento) Biblioteca Cândido Marinho Rocha. Esta instituição foi inaugurada em 1987. Poderíamos, nós mosqueirenses, estar festejando seus 20 anos de fundação. Contudo, agora só podemos nos considerar de luto, por sua ruína precoce, por sua morte prematura. Morte de causas não-naturais, assassinato, na verdade.
Marinho Rocha nasceu em 14/06/1907 e faleceu em 16/11/1985. Deveríamos, neste ano de 2007, estar comemorando seu centenário de nascimento, ele que é autor de, entre outros livros, Ilha, capital Vila, publicado em 1973, romance ambientado na Ilha de Mosqueiro, no período de 1930 a 1943, no qual põe em ação personagens ‘reais’ e fictícios, a viver em um espaço bucólico e paradisíaco, de “uma ilha perfumada com amor” (O Liberal, 13/05/1973). Mais que justa homenagem darem seu nome à biblioteca, depois de dois anos de falecimento. A família do escritor, é preciso esclarecer bem esse fato, doou seus livros para ajudar a compor o acervo de nossa biblioteca. Qual não será o espírito de revolta com que sua família encara o fato de Uchôa ter mandado jogar fora os livros?
O tempo passou. Uchôa passou. Getúlio, outro agente distrital, também passou, assim como Pedro Hamilton. Agora, está na vez de Maria da Glória. É para ela que fazemos a pergunta: Que é feito de nossa biblioteca? São dez anos de penúria cultural, com sua inatividade. Se bem que a falta da biblioteca é só uma mostra da ausência total de projetos, tanto da Prefeitura de Belém quanto da Agência Distrital daqui. Mais que isso: pode-se chamar de irresponsabilidade pública mesmo. Não há nada, absolutamente nada de estimulante sendo realizado aqui na Ilha nos setores de Educação, Cultura, Lazer e Desportos. Se nada é feito nesse sentido, o que acarreta esse fato? A juventude, que deveria ter sua energia canalizada para essa área, que deveria brilhar como expoente, por exemplo, da música, da literatura, da pintura, do futebol, do vôlei, etc., acaba por ser aliciada pelo traficante, pelas gangues de rua, freqüentando cotidianamente a seccional; enfim, como diz o chavão, acaba ‘virando caso de polícia’.
Há, no entanto, um consolo. O prédio ainda está lá, de pé. Certamente, a Biblioteca Pública nasceu de um decreto municipal. O prédio existe, e ainda existe, no papel, o tão saudoso Templo do Saber. O renascimento dele é imperativo para que possamos crer em utopias, como a da libertação do mosqueirense do subemprego, da informalidade da subocupação como caseiro ou da única e incerta via da construção civil (ajudante de pedreiro, por exemplo). Uma biblioteca revigorada dará certamente mais alento a quem com este quase já não sonha contar. Uma biblioteca, mas não só de livros, uma biblioteca total (com livros, claro!), mas com periódicos também, mapas, cds (de música e também livros digitais), dvds, computadores com acesso à Internet (biblioteca virtual, nesse caso).
Lógico, duas décadas atrás a realidade de Mosqueiro era outra. A população, inclusive, aumentou geometricamente. É provável que o prédio da antiga Biblioteca precise de ampliação. Ou que outro prédio seja construído, ou até adquirido, noutro lugar. Muitas são as opções. Uma só delas não é mais aceitável: a inexistência da Biblioteca. Sua ausência está sendo e será, se nada for feito, um grave fator de comprometimento do futuro da gente de nossa terra. Por causa disso, a Articulação de Esquerda (AE), uma das tendências do PT em Mosqueiro, está decididamente empenhada em levar adiante uma campanha para fazer renascer das cinzas nossa querida Biblioteca, propondo a circulação de um abaixo-assinado (em todos os bairros, em todos os seguimentos populacionais, veiculado em instituições escolares, postos de saúde, centros comunitários, etc.), com milhares de assinaturas, destinado às autoridades e órgãos competentes, para que estes tomem vergonha na cara, e atendam esta demanda mais que urgentíssima de uma população que não mais pede e sim grita por este direito mais que justo.
Sábado Cultural, em prol da Biblioteca Pública
17/11/2007 Coreto da Pça Cipriano Santos, na Vila.
A nova Biblioteca de Mosqueiro
Com a fluidez do pensamento, meditando um pouco vaga e livremente sobre as coisas, veio-me à mente aquela máxima latina, que não necessita de tradução: “TEMPUS FUGIT”. É, realmente, o tempo alça voos e foge. Em 13/12/2007, o jornalista Elias Ribeiro Pinto publicou matéria enviada a ele por mim sobre a Biblioteca Municipal Cândido Marinho Rocha. Na ocasião, expliquei no artigo que a biblioteca fora criada por decreto do prefeito Coutinho Jorge, em 1987, e que deveria ainda existir, só que no papel, apenas lá, entre traças e fungos, visto que fora “transformada” em auditório, por um agente distrital inconsequente.
Eis aí que, por estes tempos, o TRE convoca-me a prestar serviços nas eleições 2010. A reunião seria na Agência Distrital de Mosqueiro. Ao chegar lá ―era dia 18/09/2010, um sábado―, indicaram-me que seria no “Auditório”, o mesmo prédio da antiga biblioteca. O local estava repleto de gente. Nenhuma cadeira para os futuros mesários se sentarem, nenhum ventilador. Gente pingando de suor. Bem, aquilo jamais poderia ser chamado de auditório! Nem biblioteca poderia ser, mas já o foi.
Em um canto, livros empilhados e amarrados por fios, alguns novos, outros, bem velhos, alguns bem conservados e novos! Outros, nem tanto. O curioso é que estavam ali misturados a pacotes de cerveja e isopores apreendidos pela turma da Secon (Secretaria Municipal de Economia, popularmente chamado de Rapa). Que ambiente para livros, hem?! Mas a surpresa maior veio quando vi, ali entre livros didáticos enviados pelo MEC (que deveriam estar nas escolas para serem entregues aos alunos), o carimbo da Biblioteca, bem próximo de uma pasta, onde se liam anotações de novas doações de livros. Como é? ― pensei. A biblioteca, que foi transformada em auditório, que também não existe, ainda recebe doações de livros?
Foi aí que me veio à lembrança a letra da canção de Caetano Veloso, da época em que ele ainda sabia compor música com letra menos banal que na atualidade:
“Um mero serviçal
Do narcotráfico
Foi encontrado na ruína
De uma escola em construção...
Aqui tudo parece
Que era ainda construção
E já é ruína
Tudo é menino, menina
No olho da rua
O asfalto, a ponte, o viaduto
Ganindo pra lua
Nada continua...”
Trata-se de passagem da canção “Fora da ordem”, do CD Circuladô, de 1991. Analogamente ao que diz a letra, vamos analisar certa situação em Mosqueiro: O Ministério da Educação (MEC), em convênio com o Instituto + Cultura, com a contrapartida (mínima) da Prefeitura de Belém, deveriam construir três bibliotecas públicas na capital do Pará. Das três, uma seria no Mosqueiro. O prédio? Uma ruína, a ruína do Educandário Nazareno, o antigo prédio da Semec (Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Belém), filial de Mosqueiro.
Até aí, tudo bem, pois a revitalização de um prédio histórico é sempre bem-vinda, ainda mais com a finalidade que passaria a ter. O problema vai ser revelado agora: tal instituição, tão essencial, seria entregue em dezembro de 2010. Ou seja, o que é construção, já é ruína, literalmente, assim como o projeto também. Sem a contrapartida da prefeitura, estou convicto, nada poderá sair do papel. Na cabeça dos ilhéus, fica a pergunta: a futura segunda biblioteca de Mosqueiro poderá vir a existir apenas no papel (assim como se pode forjar um cidadão de papel, dobrado ao gosto do origamista, se é que se pode chamar assim a autoridade que faz do povo “gato e sapato”), ficando lá tão-somente a ruína do que deveria ser?
Em uma livraria em Belém, certo dia, vimos (eu e esposa) a figura do jornalista Elias Ribeiro Pinto. Entregamos a ele o primeiro texto que, editado por ele, saiu publicado no jornal Diário do Pará, em 13/12/2007. Abaixo, segue escaneamento dessa publicação, mais outras a ela relacionadas, publicadas em resposta a esta:
As publicações dizem respeito a uma justificativa estapafúrdia, como sempre, de um capacho de dentro de um órgão municipal, como se pudesse justificar uma burrice com outra. Outra diz respeito a um esclarecimento dado pelo Carlos Augusto (o “Barão”) de como se deu de fato o vilipêndio do acervo de livros da Biblioteca Cândido Marinho Rocha.
As publicações que passo a postar abaixo, compilei-as de sítios virtuais de diversas instituições. Chamo a atenção para esta primeira, logo abaixo, que noticia a implantação de uma biblioteca, denominada de Biblioteca Folhas e Livros, no assentamento Mártires de Abril, desmentindo a ideia de a nova Biblioteca Mais Cultura ser a primeira da ilha. A primeira foi/é/será sempre a Biblioteca Municipal Cândido Marinho Rocha, que querem à força nos surrupiar, sendo a do assentamento a segunda e a nova a terceira, apesar do que diz a PMB na última destas postagens que compilei, com o título “Mosqueiro festeja sua primeira biblioteca pública”.
Pessoal, clamo a todos os mosqueirenses: não engulam tal engodo, lutemos pelas duas bibliotecas! Um abraço do Alcir.
Portal da Ufra Pró-Reitorias
Proex Notícias
Assentamento em Mosqueiro inaugura Biblioteca
Assentamento da reforma agrária Mártires de Abril no distrito de Mosqueiro, inaugurou no último dia 26/02,a Biblioteca Folhas e Livros. A biblioteca atenderá ainda outros dois assentamentos, Paulo Fonteles e Elizabete Teixeira, além das comunidades que vivem no entorno.Para participar da inauguração, o engenheiro Agrônomo Waldir Nascimento, da Pró-Reitoria de Extensão, representante da Universidade Rural (Ufra) no Fórum Paraense de Educação do Campo e representando na ocasião o Projeto EducAmazônia, fez a doação de materiais didáticos e paradidáticos, entre livros, enciclopédias, cartilhas, dicionários,entre outros, para uso das comunidades.
Acesso em 22 jan. 2011. Disponível em: http://www.portal.ufra.edu.br/index.php/Proex-Noticias/assentamento-em-mosqueiro-inaugura-biblioteca.html
Fumbel lança obras da Biblioteca Mais Cultura em Mosqueiro
O lançamento das obras da Biblioteca Mais Cultura no distrito de Mosqueiro foi realizado, nesta terça-feira (18), com a assinatura da ordem de serviço firmada entre a Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), a Agência Distrital de Mosqueiro e a construtora MD Engenharia. As obras iniciam na próxima segunda-feira (24). A previsão de entrega é de 120 dias.
O que será um canteiro de obras nos próximo quatro meses se transformou em um canteiro cultural, para comemorar o início da construção da Biblioteca Mais Cultura na ilha de Mosqueiro. A programação começou com uma caminhada, que saiu da Praça Matriz para a Rua Coronel José do Ó.
O cortejo foi animado pela bateria da escola de samba Peles Vermelhas e pela Banda de Fanfarra Honorato Filgueiras. Na chegada houve a apresentação do Grupo da 3ª Idade da Funpapa e do Grupo Folclórico Akauã. O público também conferiu os trabalhos desenvolvidos pelos projetos Trilha da Cidadania e Escola da Vida, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, respectivamente.
O agente distrital de Mosqueiro, Ivan Santos, comentou a importância da obra para a economia local. “Toda a mão de obra utilizada para a construção da biblioteca será de Mosqueiro, o que movimenta a economia da cidade, trazendo o aquecimento nas vendas do comércio”, analisou.
Para Anderson Miguel e Marcelo Bittencourt, ambos representantes da comunidade de Mosqueiro no Projeto Mais Cultura, a biblioteca será um ponto de referência cultural e artístico na ilha, provocando um impacto positivo na educação. “A biblioteca que será construída é uma porta de intercâmbio com outras bibliotecas do Brasil”, disse Marcelo, que pretende viajar o país em busca de novos projetos.
A construção da biblioteca de Mosqueiro faz parte do Programa Mais Cultura, do Governo Federal, e contará com 40 trabalhadores para erguer o prédio. Serão 500 metros quadrados de área construída, distribuídos em um salão de leitura, um telecentro com capacidade para dez computadores, área administrativa, banheiros, além de uma varanda multicultural. O projeto piloto é do Ministério da Cultura, sendo adaptado pelos técnicos do Departamento de Patrimônio Histórico da Fumbel para a realidade da população local.
Raimundo Pinheiro, presidente da Fumbel, falou sobre a contribuição do espaço para o distrito. “A biblioteca não será somente um espaço para a leitura, será um local onde será desenvolvido e trabalhado outras artes, como a dança, o teatro e o cinema. Será a primeira biblioteca cultural da região e terá o objetivo de agregar as comunidades”.
As comemorações pelo início das obras da Biblioteca Mais Cultura foram encerradas com a entrega de Certificado de Reconhecimento para os grupos locais, pelos trabalhos culturais e sociais desenvolvidos na ilha.
Texto: Vanda Duarte - Ascom Fumbel
Fotos: Alzyr Quaresma
Edição: Comus
Acesso em 22 jan. 2011. Disponível em: http://servicos.belem.pa.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=106:fumbel-lanca-obras-da-biblioteca-mais-cultura-em-mosqueiro&catid=12:governo
Prefeitura de Belém - 16/01/2011
A Prefeitura Municipal de Belém, por meio da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) e da Agência Distrital de Mosqueiro (Admos), faz o lançamento nesta terça-feira (18), a partir das 08 horas da manhã, das obras da Biblioteca Mais Cultura.
Com a assinatura do termo de contrato entre a Fumbel e a empresa MD Engenharia feito em novembro de 2010, Belém irá ganhar duas novas bibliotecas públicas, sendo uma no bairro do Tapanã e outra no distrito de Mosqueiro, a primeira biblioteca da localidade.
Para festejar o início das obras, a PMB realizará um Cortejo Cultural, com a participação de baterias de escolas de samba, banda de fanfarra, grupos da 3ª idade, capoeira, folclórico e poesia, boi-bumbá, bandas de rock, Projeto Trilha da Cidadania, da Polícia Militar e o Projeto Escola da Vida, do Corpo de Bombeiros.
O cortejo tem concentração na Praça Matriz da Vila e irá percorrer as ruas da cidade até o local onde será construída a biblioteca, na Rua Coronel José do Ó entre as ruas Coronel Mota e Getúlio Vargas.
Na chegada do cortejo, os participantes serão recepcionados pelas tapioqueiras da ilha, que irão oferecer suas especialidades. Também acontecerá uma feira cultural com a exposição de trabalhos artesanais, grupos de grafitagem e varal de poesias, além da presença do Instituto Ampliar, que leva os projetos de reciclagem e conscientização ecológica.
A construção da biblioteca de Mosqueiro faz parte do Programa Mais Cultura, do Governo Federal, que tem como objetivo zerar o número de municípios sem bibliotecas. Lançado em outubro de 2007, a iniciativa marca o reconhecimento da cultura como necessidade básica, incorporando- a como vetor importante para o desenvolvimento do país e incluindo-a na Agenda Social.
Fonte: Prefeitura de Belém
Acesso em: 22 jan. 2011. Disponível em: http://mais.cultura.gov.br/2011/01/16/mosqueiro-festeja-sua-primeira-biblioteca-publica/
Esse sujeito aí ao lado é Álvaro Fernandes Dias, 66 anos, nascido no Município paulista de Quatá, porém criado em Maringá, Paraná, Estado que o elegeu deputado estadual, deputado federal por dois mandatos, governador e senador também por dois mandatos. É afiliado ao PSDB e, nessa condição, tem sido uma das vozes mais combativas da oposição aos governos federais petistas. Uma de suas principais pautas? A moralidade administrativa, aquele velho tema de que todos os políticos gostam de falar, mas não de praticar.
Apeado do poder nas últimas eleições e estando a dez dias de ficar sem mandato, o honorável político encontrou um jeito de não perder a boquinha totalmente. A solução foi requerer, ao Estado do Paraná, que lhe pague valores alusivos a sua aposentadoria como ex-governador. Valores retroativos que importariam em 1,6 milhão de reais.
Não conheço a legislação que rege esses benefícios, ainda mais por se tratar em parte de legislação do Estado do Paraná, embora possa afirmar que ela normalmente é elaborada de modo a que, nas imprecisões e entrelinhas, favoreça a máxima acumulação de riquezas pelos espertos. Mas posso tentar uma crítica baseado, ao menos, no bom senso e em regras jurídicas mais gerais.
Quando a Constituição de 1988 veda a acumulação de cargos públicos, ela está, na verdade, vedando a acumulação de remunerações públicas (art. 37, XVI). Não se pode auferir rendimentos públicos cumulativos, salvo as hipóteses previstas naquele dispositivo, que envolvem atividades de magistério ou na área de saúde. Por isso, se Álvaro Dias tinha direito a proventos de aposentadoria como ex-governador, tudo bem, que recebesse seus haveres. Mas ao assumir um mandato de senador, precisaria optar entre aqueles proventos e o subsídio de senador. Obviamente, escolheria o que fosse maior, no caso, a remuneração paga pelo Senado.
Trata-se, portanto, de uma renúncia — temporária, é certo, mas uma renúncia — à aposentadoria, enquanto estivesse no Senado. Findo o seu mandato, poderia voltar a receber seus proventos. Não sofreria prejuízos, pois durante todo esse tempo o dindim esteve na conta. Ao pedir proventos retroativos, o espertíssimo ainda senador joga por terra duas vedações constitucionais: a de acumulação de rendas e a do teto máximo de remuneração a ser paga aos agentes públicos.
Contando com a burrice alheia (ou com a conivência de quem de direito), ele pensa que, recebendo tais valores num momento em que não tem mais o subsídio de senador, o óbice estaria superado. Mas, ora pois, se os valores são retroativos, isso significa que não apenas o dinheiro em si, mas o fato gerador de seu pagamento remonta ao passado. Se esse pagamento for feito, estarão dizendo, tacitamente, que Dias tinha direito a receber aposentadoria como ex-governador cumulativamente com o subsídio de senador.
Não podia no tempo presente, mas poderia se for assim, na base do arranjo?
Ah, eu adoro ver essa gente mostrando quem realmente é! Pena que esse tipo de informação circule pouco na imprensa e, ainda que tenha maior divulgação, não chegue a impressionar o cidadão comum que, no fundo, não vê tanto mal assim no patrimonialismo desenfreado dos políticos brasileiros. Até reclama, mas endossa os mesmos caras com o seu voto.
Repostado do Blog Arbítrio do Yúdice: http://yudicerandol.blogspot.com/
Nota do Blog: Mais uma moralidade à la PSDB.
O Blog Perereca da Vizinha escancara qeue um dos maiores escandalos da politica paraense ( o caso Cerpasa), está novemente em julgamento e deixando muito pássaro emplumado em polvorosa, confira aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com/2011/01/caso-cerpasa-deve-agitar-bastidores.html
Nota do Blog: E o lhem que a editora deste blog é PSDbista de carteirinha…
De acordo com dados da Secretaria de Organização da Executiva Estadual do PT foram registrados durante o ano passado no Pará 492 novos filiados ao partido. Um número expressivo e que vem crescendo cada vez mais. Segundo Advoncil Candido Siqueira, secretário de organização, um dos principais fatores do aumento de filiações é o desempenho do governo federal. “O nosso histórico nas lutas sociais e a nossa forma de governar tem levado muitos brasileiros a acreditarem no projeto do PT. O que automaticamente influencia no aumento de filiações”, afirma Advoncil.
A atual realidade de filiações do partido é sentida mais de perto nos diretórios municipais, locais onde ocorre a efetivação dessas filiações. No diretório municipal de Belém, por exemplo, houve nos últimos três anos um aumento de 50% no número de filiados do partido. Atualmente a capital do Pará conta com 14.229 filiados do PT. “Isso fora o número de pessoas que ainda estão em processo de filiação”, explica Luis Castro, membro da Secretaria de Organização do diretório de Belém.
As informações sobre o processo de filiação lideram a lista dos assuntos da seção “Entre em Contato” do site do PT Pará, um canal direto de comunicação com militantes e simpatizantes do partido. Desde que voltou ao ar, em setembro de 2010, o site recebe constantemente mensagens de várias partes do Estado perguntando sobre os procedimentos para se filiar ao partido. São comuns casos como da estudante de pedagogia Giselle Mota e do administrador de empresas André Maurício Queiroz, que antes de entrarem no processo de filiação procuraram o site do PT para tirarem suas dúvidas.
Qualquer pessoa acima de 16 anos completos e que se identifique com a política do partido pode se filiar ao PT. Para isso, basta procurar o diretório municipal de sua cidade e preencher uma ficha com seus dados pessoais (endereço, título de eleitor, CPF, telefone, e-mail). A ficha é uma declaração de concordância com os ideais e princípios do Partido dos Trabalhadores. Uma vez aprovada a filiação, o requerente receberá por correio, em sua casa, a carteirinha de filiado. Para mais informações, entre em contato com o Diretório Estadual do PT-Pará através do telefone (91) 3241-271313.
Fonte: site do Diretório Estadual do PT
JANELAS DO TEMPO:
PIRATAS DA ILHA
A história da Universidade de Samba Piratas da Ilha, fundada em 07 de janeiro de 1975, confunde-se com a trajetória carnavalesca de Agostinho Pereira, o inesquecível Macarrão, fundador da escola que se tornou famoso como folião, sambista irreverente (caracterizado como personagem feminina), compositor e intérprete de sambas memoráveis, entre os quais se destacam “À Tardinha” (primeiro samba dos Piratas da Ilha, em 1971), “Férias do Passado”, “Exaltação à Bahia” e “Belezas e Lendas do Marajó” (o samba do Pererê).
As origens da escola remontam aos tempos de bloco carnavalesco e sua multiplicidade de nomes. Criado em 1968 com o nome de “Piratas da Titia”, cujos principais integrantes pertenciam ao time de futebol Mato Grosso, o bloco saía, invariavelmente, da casa da Tia Águida, na 6ª Rua. Depois, ganhou outros nomes: “Os Tesourados” (1969), “Conosco Ninguém Podemos” (1970) e, finalmente, “Piratas da Ilha” (1971), nas cores amarelo e preto, inspirado na figura do pirata do Ron Montilla (bebida muito apreciada pela juventude da época), tornando-se um bloco de arrastão já tradicional na ilha do Mosqueiro.
Esses momentos iniciais partilhados com Diógenes Godinho (compositor), Quincas, Carlinho Mathias (primeiro passista da escola), Chico Tripa, Tote, Cabeça, Lito, Didi do Tiduca e Emanoel Braga, entre outros, foram decisivos para a transformação do bloco em escola de samba no ano de 1975, concretizando a ideia defendida euforicamente por Macarrão – Presidente de 1975 a 1988.
A partir daí, ostentando as cores vermelho e branco e desenvolvendo enredos de exaltação, político-sociais, históricos ou baseados no folclore, a escola, que recebera o nome de Universidade de Samba Piratas da Ilha, conquistou inúmeros títulos e a simpatia do público por seus desfiles empolgantes. Nem mesmo a cisão na Diretoria em 1976, que paralisou a entidade substituindo-a pelo bloco “A Patada”, empanou o sucesso de sua jornada.
Em 1988, a escola, que já existia de fato, ganhou personalidade jurídica com seu primeiro Estatuto Social, na reorganização promovida pelo Presidente Orlando de Andrade Rabelo (1988 a 1995). Começa, então, uma nova era em que pontificam os nomes de Raimunda Cruz da Silva (madrinha da escola), Jorge do Cavaco (compositor), Paulo Batucada (intérprete), Paulo Munhoz e Geraldão (mestres da bateria); Claudionor Wanzeller (autor e redator de enredos); Mário d’Ávila e Rosivan Pereira (carnavalescos); Alice Lameira (coordenadora de desfile); Dico Medalha, Dico Caldeira, Jorge Botelho e Curiba (coordenadores de alegorias e adereços); Almir Corrêa Cabral (coordenador da Comissão de Frente); Gabriel Ângelo Silva Cordeiro (administrador); Lila Caldeira (estilista); Albertina Carvalho (coordenadora da ala das baianas) e Miguel Ferreira da Silva Júnior (Presidente de 1995 a 1998).
A partir do Carnaval do ano 2000, a Prefeitura Municipal de Belém deixou de realizar os concursos de escolas de samba da ilha do Mosqueiro. Sem o necessário apoio cultural do Governo e de empresas privadas, sem espaço delimitado e organizado para seus desfiles, a escola, como suas congêneres, transformou-se em bloco de abadá, sem a expressividade e o brilhantismo do passado. Seu barracão de alegorias, inclusive, foi ocupado pela Agência Distrital do Mosqueiro. Foram tempos difíceis vivenciados nas administrações dos Presidentes Célio Soares Almeida (1998 a 2005), Carmem Bastos (primeira mulher a ocupar o cargo de 2005 a 2007) e Walter de Sousa Castro (de 2007 a 2009).
Nos últimos meses de 2009 e no início de 2010, a escola foi administrada por uma JUNTA GOVERNATIVA, que promoveu a reforma estatutária, um processo de reorganização e o pleito para a escolha da nova Diretoria. Essa Junta foi constituída pelos senhores Miguel Ferreira da Silva Júnior (Presidente), Antônio de Vasconcelos Alvarez Rodrigues (Tesoureiro) e Arnaldo Trindade de Azevedo Filho (Secretário). A eleição, realizada por meio de votação secreta, apontou como Presidente da Assembleia Geral o Sr. Orlando de Andrade Rabelo e como Presidente da Diretoria Executiva o Sr. Miguel Ferreira da Silva Júnior.
Hoje, sem concursos e sem títulos, sem barracão ou sede, sem local definido para a saída dos seus arrastões, a escola sobrevive pela tradição e pelo carinho dos seus aficcionados, recordando com saudade, o brilho do passado.
No Carnaval de 2011, os Piratas da Ilha continuam a animar as tardes de domingo com o seu tradicional bloco de arrastão, o qual sempre acontece a partir do primeiro dia do ano e vai alegrar milhares de foliões com a interpretação contagiante dos sambas-enredo que marcaram época. Neste Carnaval, a Universidade de Samba Piratas da Ilha, na voz do intérprete Carlinhos, canta o samba-enredo “Mosqueiro: Sua História e Suas Gentes”, uma composição de Jorge do Cavaco, que sintetiza os fatos marcantes desde os primeiros tempos de ocupação da ilha até as mazelas advindas do progresso atual.
REGISTRO FOTOGRÁFICO DOS VELHOS TEMPOS:
FOTOS: Baú dos Piratas – org. Jorge Botelho, o famoso Mucurinha.
Ana anunciou através de seu twitter sua solidariedade ao acontecido com Paulo Rocha.
"Estou fora de Belém, ligada com o que acontece em nosso Estado, acompanhando o noticiário via blogs.
Minha solidariedade ao companheiro e deputado federal do PT Paulo Rocha, que foi parado numa blitz, em Belém, na Doca,no início da madrugada de domingo, vindo de um jantar. Paulo estava em seu carro, no banco de trás, sem cinto".
O link do twitter leva ao blog da colega Rita que conta o fato.
"Cinco carros da Rotam, mais de uma dezena de policias e muito bate-boca foi o resultado de uma parada do deputado federal Paulo Rocha numa blitz, por volta de meia noite de ontem, na Municipalidade com a Doca.
Os policiais acusam o deputado de estar bêbado e de tê-los desacatado.
O deputado nega. Diz que foi houve excessos dos policiais que chegaram a dizer que ele não podia reclamar porque tinha perdido a eleição.
Paulo Rocha voltava para casa após jantar em homenagem ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, quando foi parado na blitz. Estava no banco de trás sem cinto. O policial pediu que ele aguardasse por um superior que avaliaria a situação, Rocha reclamou da demora e foi ameaçado de prisão. Começou a confusão que só terminou uma hora e meia depois. O deputado foi liberado com multa".
Pior que a gente pergunta mesmo ...
1. Quando te vêem deitado, de olhos fechados, na sua cama, com a luz apagada e te perguntam:
- Você tá dormindo?
- Não, to treinando pra morrer!
2. Quando a gente leva um aparelho eletrônico para a manutenção e o técnico pergunta:
- Ta com defeito?
- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.
3. Quando está chovendo e percebem que você vai encarar a chuva, perguntam:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.
4. Quando você acaba de levantar, aí vem um idiota (sempre) e pergunta:
- Acordou?
- Não. Sou sonâmbulo!
5. Seu amigo liga para sua casa e pergunta:
- Onde você está?
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!
6. Você acaba de tomar banho e alguém pergunta: (BOA)
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!
7. Você tá na frente do elevador da garagem do seu prédio e chega um que pergunta: (ÓTIMA)
- Vai subir?
- Não, não, to esperando meu apartamento descer pra me pegar.
8. O homem chega à casa da namorada com um enorme buquê de flores. Até que ela diz:
- Flores?
- Não! São cenouras.
9. Você está no banheiro quando alguém bate na porta e pergunta:
- Tem gente?
- Não! É o cocô que está falando!
10. Você chega ao banco com um cheque e pede pra trocar: (MUITO BOA)
- Em dinheiro? ?
- Não, me dá tudo em clipes!
Essa é de para se transformar num dos maiores escândalos das últimas décadas do país.
Verba de R$ 24 milhões destinada à prevenção de tragédias, como a que está ocorrendo no Rio de Janeiro, foi parar na conta bancária da Fundação Roberto Marinho, das Organizações Globo.
Leia aqui.
por Jair Stangler
O site ‘Congresso em Foco’ divulgou nesta quinta-feira, 13, lista com os nomes dos dez deputados federais mais faltosos da legislatura que se encerra no dia 31 de janeiro. Na média, eles não estavam presentes em quase metade dos 422 dias com sessões reservadas a votações no plenário ocorridas entre fevereiro de 2007 e dezembro de 2010. Três deles mais faltaram do que registraram presença.
A lista é encabeçada pelos deputados Nice Lobão (DEM-MA), Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciou ao mandato em novembro, Vadão Gomes (PP-SP), Ciro Gomes (PSB-CE) e Marina Magessi (PPS-RJ). Marcos Antonio (PRB-PE), Miguel Martini (PHS-MG), Fernando de Fabinho (DEM-BA), Silas Câmara (PSC-AM) e Alexandre Silveira (PPS-MG) completam o ranking. De todos, apenas três foram reeleitos: Nice Lobão, Silas Câmara e Alexandre Silveira.
Em tese, faltar a uma sessão deliberativa implica corte no salário. Mas, na prática, os parlamentares pouco sentem o peso de suas ausências no bolso. Das 1.862 faltas acumuladas por esses dez deputados, 1.713 (92%) foram abonadas pela Câmara, com a apresentação de justificativas, como problemas de saúde e compromissos políticos. Só 149 das ausências ficaram sem explicações, ou seja, sujeitas a desconto.
Segundo o site, como as razões aceitas pela Casa vão além dos problemas de saúde, a pesquisa considera as ausências justificadas e as ausências sem justificativas. Os motivos apresentados por cada parlamentar, porém, não são divulgados pela Casa. O site informa na reportagem que entrou em contato com os parlamentares para que apresentassem suas explicações, mas diz que nenhum dos dez retornou o contato.
Da Redação
Em São Paulo
Doze faculdades que obtiveram conceito 1 no IGC (Índice Geral de Cursos) 2009 poderão ser descredenciadas. Elas obtiveram nota considerada insuficiente no índice, que tem conceitos de 1 a 5. Veja quais são as instituições:
Essas 12 instituições serão visitadas logo no começo das aulas, para que o MEC (Ministério da Educação) decida se elas serão descredenciadas ou não - isso significa a proibição do ingresso de alunos; estudantes já matriculados podem concluir o curso na instituição.
"A Sesu [Secretaria de Ensino Superior] vai tomar uma providência inédita: nunca tínhamos tomado medidas regulatórias em relação a instituições", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad, na entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira (13).
Por Alcir Rodrigues
Procurando por textos sobre Mosqueiro, para organizar um pequeno banco de dados sobre a Ilha, encontrei, entre outros textos (de autores ja consagrados pelos leitores e pela crítica, de outros que ainda nao atingiram tais pincaros), poemas homenageando ufanamente ou denunciando as mazelas locais. Todos eles, de qualquer modo, tematizando a “Bucólica”, inscrevendo-a no âmbito dos registros gráficos, sejam eles literários, geográficos, históricos, sociais, culturais, etc., nao importa tal fato, no momento, já que o relevante e que se tenham dados (os textos) coletados sobre nosso distrito-ilha. O primeiro dos textos que compilei e este, de An`tônio Juraci Siqueira, de seu livro Piracema de sonhos:
Mo(s)queiro
Metamorfose de signos -- fonemas
roidos pelo tempo e pelo uso...
Foram tantos veroes, tantos invernos
foram tantos poentes e alvoradas
que a ilha do Mosqueiro e dos encantos
perdeu seus moquens e seus misterios.
Em que volta do tempo se perderam
os nossos ancestrais que moqueavam
piabas nas mares tepacuemas?
Hoje a ilha do Mosqueiro, em desencanto,
carrega um S enorme e sibilante
encravado no nome e no destino.
Um perfeito insight de Juraci associar o tema da decadência, muito alardeada quando se faz referencia a ilha e a suposta evolução linguística que, em tese, teria dado origem a palavra Mosqueiro, muitas vezes confundida com aquela que o dicionário registra como “lugar onde há moscas com abundância”. Nao e um poema de carater ufanista, como a maior parte do que e produzido em poesia tematizando o lugar. Em vez disso, evoca, apenas, uma afortunada Ilha de tempos idos, metamorfoseada agora em lugar de desencanto, uma Ilha que subsiste com seus atrativos aprazíveis somente na memória nostálgica dos mais idosos -- ou nas páginas amarelas e bolorentas de algum esquecido livro--, pois Mosqueiro contemporaneamente o que tem angariado não é exatamente em valores prós. E um lugar que clama por um retorno não de um filho pródigo, mas de um tempo de mais prodigalidade.
Garimpamos ainda outro belo poema, sucinto -- quase um poema-pílula --, que diz muito por meio de uma linguagem lacunar, sempre a ser completado pelo leitor o sentido sugerido, muitas vezes diretamente ligado a forma organizacional das palavras distribuídas no branco da página, em um isomorfismo raro entre expressão e idéia, a evocar a bela praia da predileção de Max Martins: Maraú (para alguns, Marahú), onde o poeta viveu por um tempo, na cabana chamada Porto Max. O texto integra o livro Caminho de Marahu, de 1983, e vem a seguir:
Mar-ahu
Não
é a ilha
Não
é a praia
E o mar
(de nos fazermos ao)
é só um nome
sem
a outra margem
Outro que surge, no mesmo livro, com as mesmas sutilezas, agora mais para um haicai que para um poema-pílula, é este:
Marahu
A praia
A tarde se desdiz
te diz
se estende
e te dissolve
Aqui Max explora a vacuidade possível das ondas, sempre sonoras, sempre efêmeras, porém tenazmente repetidas, solvidas dentro de si mesmas, tanto no aspecto vísuo-sonoro quanto semântico, tornando a praia um lugar de nostalgias, liquefazendo o ser dissolvido pela passagem do tempo, que parece fluir vagamente como o próprio pensamento, na contemplação da enseada do Maraú.
Na verdade, tudo o que se possa dizer sobre esses poemas, tanto de Max como de Juraci Siqueira, valem apenas como comentários, visto que os poetas já disseram tudo da melhor maneira possível, e o crítico ou analista, refletindo sobre sua obra, pode estar banalizando-a, no momento em que tenta explicá-la, interpretá-la, ou comentá-la.
Outro poeta a dedicar versos a Ilha chama-se Arnaldo Rodrigues. Em seu livro Cabeleira: o papa chibé em prosa e verso (1998), presenteia-nos com estes, a seguir:
Mosqueiro e tradução
Nao vou sair da praça
com pandeiro e maracá,
quero ouvir você cantar,
lá no Bispo,
até o sol raiar:
“Essa Ilha é minha onda,
nela vivo a navegar”.
Vou cantar
minhas lembranças:
Murubira, tanto mar,
Ariramba é só luar,
pelas noites enamorar
a morena flor mais bela,
a loirinha no arraial.
Vou esperar pelo Tá Feio,
um bloco e tradição,
carnaval tambem tem frevo,
carimbó e siriá,
quero ver você dançar
no Farol
até o sol raiar.
Mosqueiro é a tradução
do Rio numa cidade,
mas será que ela me invade
por capricho ou compaixão
ou será que é meu coração
que se mata de saudade?
Eu não vou daqui,
nao vou.
Diga ao meu amor:
“Não vou.”
Maraú de areia
No meu Maraú
de areia,
tabaroa faceira,
com decote que encandeia
e o tangará no galho seco.
Vida ribeira
costumeira:
joga a vida,
joga a rede,
veja a vela,
veja o mar.
Rede trança
caroa:
joga a vida,
joga a rede,
veja a vela,
veja o mar.
Vela velha
companheira:
joga a vida,
joga a rede,
veja a vela,
veja o mar.
Cinco Bocas
Uma butique de raças
na feira tupiniquim,
uma flor que não é do Lácio
mas que tem o seu latim
no grito do indio murubira,
no chalé que o branco inventou,
na ginga do negro
de Osmar e de Dodô.
Cinco Bocas, cinco cantos
cantando o carimbó;
cinco bocas, cinco santas,
Santa Senhora do Ó;
cinco bocas, cinco encantos,
Encantam o Poeta-Mor;
cinco bocas, cinco cantos,
decantam uma só voz:
“Olha Os Piratas,
Os Peles Vermelhas
e o Tá Feio,
mas que beleza,
quero pular,
não vou negar,
pois eu não minto,
são cinco bocas
multiplicando,
ah!... são outras mil
Chapéu Virado, Bispo, Farol
e o carnaval no corãção
do Brasil.”
Em primeiro lugar, nota-se o caráter de texto pensado de cada um destes poemas escritos por Arnaldo Rodrigues, em cujas linhas se pode constatar o trabalho de poeta burilador de sua linguagem, e poeta que os criou com conhecimento de fato, de causa mesmo, daqui da terrinha ilhoa de Mosqueiro, já que frequenta as bucólicas plagas desde o início da década de 1980, ocasião em que se inicia sua relação afetiva com tudo que seja desta Ilha. Além de aqui passar a ser residente por temporada, já que possui casa em Mosqueiro, o poeta ancora a referência de seus poemas em lugares e situações que coincidem com o real, ainda que esse fato nao seja necessário à qualidade dos escritos, pois seu verossímil nasce da
coerência interna a cada texto. Já sua qualidade, esta emerge indubitavelmente do “engenho e arte” do autor, do talento e da técnica, portanto, remontando ao que disse Camões.
Em segundo lugar, o autor, quando se atém a aspectos do exótico e do pitoresco, não o faz como um mergulho cego ou como uma aposta única em temas surrados que acabam por suscitar certo distanciamento do lado humano e sociocultural. Em vez disso, pretextando passear por um território já bastante visitado, porém revisitando-o por sendas inusitadas, explora com qualidade especial a ludicidade, o léxico do campo semântico da música, redescobre tesouros paisagísticos, tanto os naturais como os históricos, além de que faz incursao inusual pelas manifestações socioculturais do carnaval e das agremiações carnavalescas.
Por último, interessa-nos por excelência as referenciações de Arnaldo Rodrigues ao Bloco Carnavalesco Tá Feio, de tradição irnica e irreverente no seu modo de fazer carnaval popular, a quem o poeta ja deu sua parcela significativa de participação como brincante, como integrante da ala dos compositores e, principalmente, como representante-mor diante das autoridades, ou seja, como presidente da agremiação em tempos gloriosos de desfiles memoráveis.
No livro No passar da chuva: crônicas & poesias, Eduardo Santos, poeta já conhecido em todo o Brasil por ter dado entrevistas na tevê, como no Programa do Jô, também já famoso por “rodar” em muitos lugares em sua bicicleta estande, escreveu este poema para
Mosqueiro:
Recanto oficial
Mosqueiro,
Ilha sem outra igual
Recanto bucólico
Divino e natural.
Ponto de chegada,
Cais de partida...
De quantos e tantos
Amores de verao.
Tua beira-mar
Maravilhosa
De agitos mil...
Em teu palco ensolarado
Passam teus filhos, fãs
E caboclas
Que te exaltam
Clamam e flamam
Com sorrisos,
Bronzes e carnavais.
Tuas praias inesquecíveis,
Teu gosto doce e temperamental
Fazem de ti
O recanto oficial
Do amor, do calor,
Do verão.
O autor, assim como muitos outros, envereda pelo caminho do enaltecimento de certos caracteres aprazíveis da Ilha, mergulhando suas linhas melódicas no igarapé do ufanismo. Tal procedimento, nao sem alguma razão, tem sido considerado por especialistas na área como exploração de lugares-comuns, apelo à trivialidade e, portanto, uma dívida dos autores para com a originalidade e criatividade no trato com a matéria do poético. No entanto, não poderiam estar exagerando na condenação? Creio que aí a questão envolve uma crítica a certo grau de exagero ufano e quantidade demasiada de discurso laudatório, que estariam exaurindo um filão já há muito explorado de forma não criteriosa. Ou seja, vale fazer apologia? Depende.
Se nao for gritante, por que não? O problema é a exacerbação do elogioso ao ponto da aproximação do apolítico e alienante dos aspectos sociais e existenciais (que angustiam a consciência de pessoas de saudável senso crítico, inclusive a do autor destas páginas), afastando o leitor de uma relacão benéfica do ficcional com o real, aliciando-o muitas vezes ao abandono da leitura de conteúdo inquietante e questionador. Não sendo assim, doce pecado é banhar-se em lagoas de amenas águas paradisíacas e sentir o agridoce sabor da nostalgia pelo outrora querido e perdido, que não volta mais, sentir o aroma e frescor da brisa e do arvoredo que ensombreia e balança as redes nas varandas da saudade, nas modorrentas tardes de uma Mosqueiro que queremos, mas não podemos mais, re(vi)ver.
Os poemas de Eduardo Santos, de Arnaldo Rodrigues, Max Martins e Antonio Juraci Siqueira permitem muito pertinentemente as reflexões acima, para uma conclusão: escapar ao pitoresco e exótico, ou assumir em seus poemas a exploração dessa temática. Concluímos que não é o uso desse expediente, mas o abuso dele, que acaba por banalizar a literatura. Outra particularidade interessante a se ressaltar é a possibilidade de o poeta vivenciar de fato o que será, a posteriori, ficcionalizado ser tão pertinente quanto a de se imaginar tal vivência, para (também a posteriori) ficcionalizá-la. Ambas sao legítimas, mas a segunda possibilidade,
concretizada pela pena de um poeta inábil, pode resultar bem mais calamitoso do que se este fato se desse em relacão à primeira possibilidade. Contudo, toda essa discussão, indubitavelmente, ainda permanece em aberto.
E, para finalmente concluirmos, deixo registrado aqui um poemeto de minha autoria, que publiquei em um livro artesanal que nomeei de Setembro em brasa:
À Drummond
E como eu vagasse
numa praia de Mosqueiro
à hora vesperal
e só vislumbrasse
nas vagas da vazante
as vagas lembranças
doendo na memória,
como retratos poeirentos
clamando, aí num lampejo
incolor e insonoro
a imagem surge:
o mundo está à espera,
nada é gratuito,
deve chegar o tempo
e virá o recomeço.
… batendo leves soltas
asas as ideias se confundem
numa mixagem desordenada,
aparentemente incompreensível.
Me deixo fluir dentro de mim
e me absorvo por completo.